Racismo e infância: Nenhum branco tem direito de dizer que não existe racismo, eles não percebem porque eles não sofrem. Esse é um projeto de empoderamento de mãe para filha, mas também uma forma de lutar contra o racismo", afirmou.
Márcia adotou Ana Luiza quando ela ainda era recém-nascida, no Pará. Branca, a cientista passou a sentir incômodo quando percebeu que a filha a via como referência para tudo. Para ela, era fundamental fazer com que Analu se enxergasse em sua negritudeRacismo esse, segundo a pesquisadora Ione Jovino, que atinge crianças negras sobretudo a partir da representação - ou ausência dela e afetam diretamente a autorrepresentação e a autoestima das crianças negras.
"O racismo atinge as crianças sobretudo as crianças pequenas a partir da questão da representação, do modo como as crianças vêem as pessoas negras representadas ou do modo como as crianças vêem a ausência de pessoas negras representadas [...] Desde muito pequenas as crianças aprendem a ver o cabelo liso, preso, como bonito, arrumado e o cabelo crespo, enrolado, solto como desarrumado", comentou.
Ela também pontuou a atuação dos adultos como fundamental na perpetuação do racismo. De acordo com Ione, os adultos ensinam "desde muito cedo que a cor da pele influencia na escolha de quem eles querem brincar, convidar para o aniversário".
"Muitas vezes isso torna o trabalho de quem cuida da criança muito difícil. [...] As crianças que não têm acesso a canais pagos e fechados não vêem, que não têm acesso à internet ou têm pouco acesso não vêem. Isso tem relação com uma das dimensões do racismo estrutural que é a econômica, que atinge pessoas negras pobres de forma diferenciada, e isso numa fase que a pessoa está aprendendo a se enxergar, olhar para si, ver quem é, quem são seus pares", disse.
Para ela, o papel das famílias é insistir no letramento racial das crianças e em mostrar exemplos de pessoas negras em posição de comando e destaque. Pessoas de diferentes campos, inclusive de influenciadores digitais.
"Creio que seja muito importante para a gente ensinar as crianças para que elas se reconheçam e se enxergam como dignas, com possibilidades, bonitas, como quem pode fazer coisas e estar nos lugares. Em algum momento ensinar que vão ter obstáculos, no caso de pessoas negras maiores, mas que isso não impossibilite essa criança de crescer, sonhar, de ter oportunidades para fazer", reforçou.// G1

Postar um comentário
0Comentários